"Sou feliz..."


A foto é de Fabricio Spatti. Logo cedo, às 8h30, na avenida Alberto Andaló, em Rio Preto, o corintiano já estava com o sorriso estampado no rosto e a esperança no olhar . A bandeira ao vento, reflete um pouco o sentimento de quem torce e admira o time mais popular do Brasil. No carrinho, objetos que comprovam a dificuldade do dia-a-dia. Nas ruas, seu único meio de sobrevivência. Nem por isso, a alegria deu lugar à tristeza, e os passos continuam em busca de novas oportunidades.

Mudando de Assunto: logo, voltamos às receitas

 

Brincadeira de criança...

A festa era beneficente. Crianças carentes de Rio Preto comemoravam a Páscoa com muitas bexigas. Os ovos de chocolate já nem tinham tanta importância. O que elas queriam mesmo eram bexigas. Bexigas de todas as cores e tamanhos. Ganhavam a concorrência até mesmo do cachorro-quente e do refrigerante. A simplicidade de um plástico repleto de ar. A simplicidade de cada criança estampada no olhar. As cores se multiplicavam. A diversão também. Todos queriam brincar: brincar de bexiga. Personagem de muitas alegrias, a bexiga se transforma, mexe com a imaginação. A criança brincou, se divertiu, sonhou, chorou ...
 
 
... e a lágrima, ao desfilar rosto afora, revela um pedaço de bexiga brincalhona dentro do bolso; que revela outro pedaço preso entre os cabelos; que desvenda outro ainda colado à pele: pigmentação de alguns instantes. Vão-se as bexigas, fica sua presença, brilho, saltitar pelo ar, sua música acompanhada pelo vento. Enraizada na alma, alicerçada no suspiro, ela – a bexiga, sinônimo de esperança, paz, alegria – em verdade não se vai, jamais irá. Apenas cumpre-se uma etapa de vida, entrega-se à divina missão de ser semente de novas cores, brincadeiras, danças, sonhos, risos, amores, lágrimas.

OBS -
As fotos são do Fabricio Spatti


 

CARNE MOÍDA ENROLADA EM BACON


1 kg de carne moída (patinho), passada 2 vezes na máquina
1 maço de salsa picadinha
1 cebola média picada
3 dentes de alho amassados
1 colher (sopa) de manteiga sem sal
2 miolos de pão francês embebidos em leite e prensados para escorrer o leite
1 colher (chá) de sal
½ colher (café) de pimenta-do-reino branca moída
1 pacote de creme de cebola em pó
100 g de bacon cortado em tiras fininhas

Numa tigela, coloque a carne junto com todos os demais ingredientes. Misture com as mãos até a massa “dar liga”. Cubra a boca da tigela com um pano e deixe descansando por uma hora. Passado esse tempo, pegue bocados da massa na palma da mão e modele em volta de espetinhos de madeira. Em seguida, embrulhe cada espetinho com uma fatia de bacon e prenda as pontas com palitos. Asse na churrasqueira a uma distância de 30 cm do braseiro forte, durante 20 minutos, virando sempre os espetinhos para que fiquem assados por igual em todos os lados. Sirva com arroz branco e uma salada fatiada de tomates, cebola e palmito.

RECEITA - Luciano Pires

CHULETA

1 kg de chuleta
1 xícara (chá) de sal grosso

A chuleta é o corte da bisteca com osso somente com o contra-filé. Use porções grossas, com cerca de 3 cm de espessura. Polvilhe com sal grosso dos dois lados, coloque na grelha bem quente (com braseiro forte e bem formado). A carne estará no ponto ideal quando ficar churrasqueada por fora (bem dourada) e rosada por dentro.

FONTE: Luciano Pires

COSTELA DE TIRA

1 costela de tira (corte que você já encontra pronto em butiques de carne ou lojas especiais de algumas redes de supermercados) pesando aproximadamente 1,2 kg
100 g de manteiga sem sal
1 xícara (chá) de sal grosso

Besunte toda a costela com a manteiga, "grude" o sal grosso e leve à grelha com os ossos voltados para baixo, a uma distância de 45 cm do braseiro forte e uniforme durante uma hora. Os ossos deverão ficar expostos e esbranquiçados, e a carne já estará macia e suculenta. Baixe a grelha para 20 cm de distância do braseiro, vire a carne e deixe mais 5 minutos para dourar. Sirva fatiada, bem quente e acompanhada de farinha de mandioca grossa e mandioca frita. Uma pimentinha bode pra dar o cheiro!

Acém Fatiado

      Ingredientes

 Modo de Preparar

Com uma faca de lâmina fina e bem afiada, faça alguns furos na carne e recheie-os com os “palitos” de bacon. Em seguida tempere, polvilhando sobre toda a carne o creme de cebola em pó e depois o sal grosso. Embrulhe a carne em papel celofane para churrasco (5 voltas) e leve à churrasqueira a uma distância de 50cm do braseiro forte durante duas horas e meia (ou até que a carne esteja macia). Com muito cuidado para não se queimar com o vapor que se formou dentro do celofane, retire-o e retorne a carne à churrasqueira durante 10 minutos de cada lado a uma distância de 25cm do braseiro, só para dourar. Retire do fogo, corte em fatias e depois em tirinhas tipo aperitivo. Sirva bem quente acompanhada de farinha de mandioca fina e mandioca frita enquanto as carnes nobres não chegam. Ninguém vai reclamar.

— Receita de Sidney Maluf

ESPECIAL CHURRASCO

Picanha de Porco no Espeto

Ingredientes

  • 1 peça de picanha de porco pesando aproximadamente 400g

Para o Tempero

  • 1 colher de sal grosso
  • Suco de 1 limão
  • 2 dentes de alho descascados e triturados

Modo de Preparar

Corte a peça de picanha em postas de 1,5 cm de largura, tempere cada uma delas com os ingredientes indicados bem misturados e coloque-as no espeto da mesma forma que são colocadas as postas de picanha de boi, em formato “meia-lua”. Leve à churrasqueira pré-aquecida e deixe assar durante 8 minutos de cada lado a uma distância de 30cm do braseiro forte. Sirva acompanhado de mandioca frita.

– Receita produzida pelos churrasqueiros “Os Gaúchos” com
corte especial fornecido pela Porcote Comércio de Suínos – São Paulo

 

Picanha no Sal Grosso

Ingredientes

 

Modo de Preparar

Prepare a picanha aparando e acertando os lados para que fique uma peça com contorno bem definido. Tempere esfregando o sal grosso de ambos os lados da peça. Deixe descansando durante 20 minutos. Coloque no espeto no sentido do comprimento, perfurando a partir da ponta mais larga da peça. Leve à churrasqueira a uma distância de 40cm do braseiro forte (sem labaredas) e deixe 20 minutos de cada lado. Ela vai ficar dourada por fora e mal passada por dentro. Tire do espeto, coloque numa travessa e sirva fatiada, passando cada fatia novamente na grelha de acordo com o gosto de quem vai ser servido. Acompanhe com farofa e arroz branco.

 

Anéis de Cebola

Ingredientes

Para Empanar

Para fritar

Modo de Preparar

Com uma faca bem afiada corte as cebolas em fatias de 1cm de espessura e destaque os anéis. Despeje a cerveja numa vasilha refratária, junte os anéis de cebola e deixe marinar durante 30 minutos. Em outra vasilha ponha os ingredientes para empanar e misture com um batedor de arame até obter um a massa mole. Deixe essa massa descansar na geladeira durante 15 minutos. Tire os anéis de cebola da cerveja e seque-os com papel absorvente. Aqueça bem o óleo (1/2 litro, no mínimo) em fogo médio numa panela bem grande. Quando o óleo estiver bem quente retire a massa da geladeira, passe cada anel de cebola nela e frite de 2 em 2 ou de 3 em 3 de cada vez para que não grudem formando um amontoado que vai ser difícil separar com a escumadeira. Frite durante 2 minutos de cada lado até que fiquem dourados. Retire-os e coloque para escorrer numa travessa forrada com papel absorvente.

Dupla Dinâmica 

Ingredientes

400g de fraldinha

200g de batata bolinha

½ cebola

½ pimentão verde

½ pimentão vermelho

Azeite

Orégano

Sal refinado e sal grosso a gosto

 

Preparo

Temperar a carne com sal grosso e assar na brasa. Lavar as batatas, cozinhar em pressão por 7 minutos com cuidado para que elas não desmanchem. Refogar com azeite a cebola e os pimentões adicionando o orégano. Servir a carne e as batatas com o refogado por cima.

 

Segredo: PIMENTA BODE

 

 
 

Jiló a milanesa com parmesão

Ingredientes

04 jilós (tamanho médio a grande)

02 ovos

02 colheres (sopa) de farinha de trigo

100g de queijo parmesão ralado grosso

Tempero a gosto

Gordura para fritar

 

Preparo

Bater os ovos. Misturar a farinha de trigo. Fatiar o jiló e passar nesta mistura de ovo.

Passar o jiló no queijo. Fritar em gordura quente.

 

 

 Creme de Palmito

Ingredientes

1,5 litro de leite

65 g de farinha de trigo

65 g de manteiga ou margarina

01 cebola pequena

06 folhas de louro

12 Cravos

01 pitada de noz moscada

10 pimentas do reino branca em grãos

Sal a gosto

02 latas de palmito repicado

½ lata de creme de leite

 

Preparo

Derreter a manteiga e misturar a farinha de trigo até formar o roux. Ferver o leite coma cebola, as folhas de louro, os cravos, a noz moscada e as pimentas do reino branca grãos. Misturar com o roux aos poucos e cozinhar. Acrescentar 1 e ½ lata de palmito e deixar cozinhar por 5 minutos. Bater o creme no liquidificador e em seguida, voltar ao fogo.Temperar com sal a gosto. Finalizar com ½ lata de palmito repicado e ½ lata de creme de leite.

 

Costela na brasa, com mel e mostarda

2 colheres (sopa) de água       
3 xícaras (chá) de mostarda   
3 colheres (sopa) de molho de soja        
3 colheres (sopa) de mel
750 g de costela de boi   

Modo de Preparo   
Misture a mostarda, o molho de soja, o mel e a água. Com uma faca afiada, faça talhos em ambos os lados das costelas. Pincele a carne com a mistura de mel e mostarda, mas reserve para ir pincelando ao assar. Coloque na churrasqueira, com muita brasa. É importante deixar a carne no alto, sempre com o osso virado para baixo. Deixar por cinco horas.  

 

O moço da foto é o Stri. O lambe-lambe: Fabricio Spatti 

 

 

 

Quer provar? Em Rio Preto, na rua Espanha, nº 602, no Sinibaldi

LEIA O ARTIGO E VEJA AS FOTOS...

caipiríssimo
Lelé Arantes

 
www.bomdiariopreto.com.br
Quermesses
Um pacote de paçoca de amendoim arrematado por R$ 210,00! Três comprimidos de Viagra leiloados a R$ 60,00 e uma cobertura de jumento comprada por R$ 70,00.

Coisas de quermesse. Mas não é uma quermesse qualquer. É uma quermesse de bairro rural, que reúne os que moram nos sítios nos arredores da capela de São João da Boiadeira, entre Guapiaçu e Talhado. Terça-feira à noite, o salão da capela estava abarrotado de gente.
Os que moram em volta e os que moram na cidade, mas que mantêm o vínculo familiar ou de amizade.

Como Adivaldo Neves, os gêmeos Antonio Carlos e João Carlos Carvalho e o agregado Pedro Donizete Zacarin. Eu não sei se Valtinho Cavalari tem família por lá ou é agregado, mas estava presente, com o irmão e cunhada, arrastando também Fabrício Spatti.

Frango não entrou no leilão. Era comprado à parte. Decisão sábia dos organizadores. Afinal, a quermesse deles é uma grande reunião de família. Todos têm direito a comer, como num grande jantar. O leilão é que garante a festa e a renda: os quartos de leitoas variavam no leilão entre R$ 40,00 e 55,00. Nesse ano a quermesse completou 50 anos. Edson Baffi esteve lá comigo para registrar tudo em fotografia.

Eu vivo em quermesses desde os cinco anos de idade. Fui pela primeira vez acompanhando minha avó, dona Francisca, que ajudava na preparação dos frangos e leitoas da grande quermesse de Santo Antônio de Cosmorama, que tem 77 anos. É lá que servem um delicioso frango assado recheado com farofa de guariroba (palmito amargo). Mas nesse ano foi diferente. Os organizadores mudaram as regras e as mudanças não foram boas.

Penso que eles devem rever isso, manter o frango com guariroba como principal atração da festa, dentro e fora do leilão. A quermesse de Cosmorama é arte de reencontro. Faz com que aqueles que estão fora voltem para apresentar a família, os filhos, os amigos. Essa função da festa é digna de bom estudo de antropologia social.

A quermesse é uma festa que está arraigada nos costumes religiosos e sociais das nossas cidades do interior. O jornal “O Porvir”, a partir de 1904, noticia várias quermesses em louvor a São José, ao Divino Espírito Santo e à Nossa Senhora Aparecida.

Uma delas me chamou a atenção: a Loja Cosmos, a partir de 1905, passou a realizar uma “kermesse” em setembro para angariar fundos para o Hospital de Caridade (Santa Casa). Além do leilão, realizavam-se tômbolas (os bingos atuais).

Nas quermesses de antigamente, como nas festas religiosas e nos bailes de arrasta-pé, os jovens davam-se a conhecer; escolhiam-se por meio dos flertes, olhares, sorrisos insinuantes; eram forjados ali os casamentos, alguns por meio de fugas conhecidas juridicamente como raptos consensuais.

Às vezes me pego imaginando as famílias rio-pretenses do início do século 20, nas quermesses, com suas melhores roupas, sentadas em cadeiras de taboa trançada, sob barracões cobertos de capim-sapé e sustentado por bambus, comendo, bebendo e conversando sob a luz bruxuleante dos lampiões. E o leiloeiro sobre um tablado soltando a voz e mexendo com a vaidade dos poderosos da época: “Vinte mil réis tenho por um frango assado é do coronel Adolpho; trinta mil réis não é mais do coronel, quarenta mil réis é do major Mesquita; cinqüenta mil réis é do coronel Adolpho, sessenta mil réis é do capitão Porfírio, oitenta...”

Abaixo, fotos da quermesse da "Boiadeira"


Crédito: Fabricio Spatti

Dobradinha do Armando

 

INGREDIENTES

3 colheres de óleo

3 dentes de alho amassados

1 cebola média picada

1 tablete de caldo de costela

2 fatias de bacon picado

2 lingüiças calabresa fatiada e cortada em meia lua

1/2 kg de carne de charque

1/2 kg de bucho bovino

Colorau

Sal

Feijão branco

 

MODO DE PREPARO

Pegue o feijão, lave e deixe de molho por mais ou menos 4 horas

Antes de começar o preparo da dobradinha, ferva separadamente a carne de charque e o bucho para retirar o sal

Faça isso três vezes, sempre trocando a água a cada fervida.

Depois corte em pedaços pequenos e reserve

Numa panela refogue o alho e a cebola no óleo, acrescente o caldo de costela dissolvido em um pouco de água quente

Adicione o bacon e refogue, coloque a calabresa e continue refogando

Por último acrescente a charque e o buxo e deixe refogando por mais algum tempo

Depois é só acrescentar o feijão junto com a água em que ele está de molho

Colocar o colorau e o tempero e acrescentar mais água se achar necessário

Agora é só deixar o feijão e as carnes cozinharem e diminuir a água

Cultura

Obra do artista plástico, cozinheiro e caipira
rio-pretense Jocelino Soares

Duas Moças

Arroz com costelinha do Sampaio
do site www.comidaboa.zip.net

 

 

Ingredientes

Costelinha de porco

Bacon em pedacinhos

1/2 pimentão picadinho

1 cebola picadinha

Arroz (a quantidade você determina)

Cheiro verde

 

Preparo

Numa panela de barro fritar a costelinha de porco cortada em pedaços miúdos, refogar em alho e sal, mexer de vez em quando e deixar apurar bem. Quando estiver bem moreninha, retirar e separar na mesma panela. Vereficar a quantidade do óleo que se formou (para que a comida não fique muito gorda). Fritar então o bacon em pedacinhos, separar no cantinho da panela, juntar então meio pimentão vermelho picadinho, uma cebola picadinha, esperar fritar um pouco, juntar o bacon e o arroz já lavado (a quantidade você determina). Refogar com a costelinha que estava separada, juntar água quente o suficiente para cozinhar. Mexer de vez em quando para distribuir bem a costelinha. Provar o sal. Depois de pronto polvilhar bastante cheiro verde. Pode ser servido com uma salada verde bem temperada e milho refogado. Pra dar um gostinho ainda mais especial: pimenta bode!

Prosa 

Um terço de história

 

A. Fiorin

 

 Acho que ao longo dos meus 30 anos devo ter sido convidado para participar de pelo menos uns 30 terços, desses que têm reza, fogueira, sanfona e quentão. Mesmo sendo caipira, criado num pequeno vilarejo e de gostar de boa prosa, confesso que sempre achei essa coisa de terço meio estranha. Dos 30 convites, devo ter ido a uns dois ou três. E por obrigação. Mas sempre respeitei, afinal, cada um tem as suas crenças e os seus costumes.

 

No começo de junho, veio mais um convite. Dessa vez, um terço familiar, numa chácara já conhecida e que nunca havia recebido evento semelhante. O local conheceria quentão, paçoca, cachorro-quente, fogueira e até fogos de artifício pela primeira vez. Num primeiro momento, continuei a achar a idéia esquisita. Mas teria de ir. Afinal, todos iriam. Foi num sábado, à tarde. Cheguei antes. Altar pronto, guloseimas preparadas, família toda reunida, empolgada e até um “tal” santo em cima de um “tal” mastro.

 

Os mais antigos dizem que, levantado o santo uma vez, o ritual tem de se repetir por outras seis ocasiões. Caso contrário, azar, falta de sorte. O negócio começou a ficar sério. Até me coloquei a ajudar. Antes, uma dose, duas, três. Mas de leve, afinal, a reza ainda nem começara. Tentei prolongar o início, pois sabia que, assim que terminassem as orações, todos iriam embora. A festa terminaria. Já levava a sério o ritual, mas queria que a noite se estendesse, como nas feijoadas e nos churrascos recebidos pelo local anteriormente. Não demorou muito e: sinal da cruz, oração preparatória e oferecimento do terço, que deveria ser rezado com concentração, força e devoção. “Rezar é uma forma de mostrar louvor a Deus”, disse quem o puxava. “É um ato de fé”, explicava. Todos estavam em volta do pequeno altar, inclusive eu. Em débito com Deus, não rezava nem antes de dormir há pelo menos uns dois, três meses, anos, sei lá. Resolvi pagar a dívida. Ou pelo menos tentar.

 

As vozes, audíveis, poderosas, pareciam expressar desejos e sentimentos. Os sons, misturados, me fizeram perder a vergonha, o preconceito. “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra”. Foram muitas orações: Ave-Maria, Pai-Nosso, Creio em Deus, Glória ao Pai, Salve Rainha. “Óh! Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem”. As frases eram desconhecidas, completamente. Acompanhei no que pude. Mas já participava, a ponto de não saber por quanto tempo estava ali.

 

Alguns choravam. E a cada lágrima que escorria dos olhos de fé, me convencia ainda mais de que orar é preciso. As mãos agarradas, suando, pareciam significar o perdão, o poder e a importância familiar. O terço chegava ao fim, mas a festa estava apenas começando. O evento, estranho, do primeiro sábado do mês sete, cumpriu-se apenas uma etapa: brotou em junho de 2008, floresceu vigorosamente numa  chácara de Bady Bassitt e, nas preces sinceras das bocas em transe, a certeza de que estarei presente nos próximos seis. Aprendi que a força da reza está na necessidade e na intenção. E no queimar da fogueira, ao som caipira, o “tal” santo ganhou nome: Antônio. Recebeu ainda a companhia de João e Pedro, antes, desapercebidos no triângulo sustentado pelo “tal” mastro. Juntos, os três, entregaram-se à divina missão de ser sementes de novos sonhos, cores, paz, risos, lágrimas, vida. E, no alto, pareciam distribuir a tranqüilidade de quem, como bons companheiros da fé, descansam serenos e nos esperam no próximo ano.   

Moela do Stri

 

Ingredientes

1 kg de moela, 100g de bacon, uma colher de creme de cebola, alho e sal, um pimentão vermelho pequeno, duas cebolas pequenas, cebolinha, duas colheres de coloral.

 

Preparo

Colocar a moela na água fria e levar ao fogo. Quando abrir fervura, tirar a moela e lavar. Fritar o bacon em uma panela de pressão. Dourar o alho e a cebola na gordura do bacon. Acrescentar o coloral. Colocar a moela e misturar bem. Colocar água até cobrir a moela e deixar por 25 minutos. Para encorpar o molho, dissolver o creme de cebola na água fria. É isso que vai determinar a textura do molho, portanto, colocar mais água se quiser um molho mais fino e menos água se quiser um molho mais grosso. Na hora de servir a moela, virar o creme de cebola na panela de pressão, acrescentar uma cebola em rodela, o pimentão vermelho e a cebolinha. E bom apetite!

 

Quem quiser provar, o Boteco do Stri fica na rua Espanha, nº 602, na Vila Sinibaldi, em Rio Preto. 

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